2) RESUMOS

Conferência de Abertura

O Estudo da Oralidade em Homero: Um Breve Panorama

Lucia Sano (UFRJ)

O grande estudo de Millman Parry, realizado nos anos de 1930, estabeleceu a poesia homérica como resultado de uma longa tradição de cantores, que compunham suas canções oralmente, com auxílio de elementos pré-estabelecidos. O principal objeto do estudo de Parry foi o epíteto ornamental (“Aquiles de pés velozes”, “Atena, deusa de olhos glaucos”), cuja escolha ele demonstrou ser determinada por circunstâncias métricas. A crítica homérica, então ainda dividida na grande questão envolvendo analistas, de um lado, e unitaristas, de outro, entrou em uma nova fase, em que se deveria dar conta desse novo elemento: o caráter oral da poesia de Homero. Este trabalho tem por objetivo apresentar alguns traços que caracterizam a poesia homérica como pertencente à uma tradição oral e o impacto que tal demonstração teve na crítica do poeta, apresentando um breve panorama da história crítica da teoria oral em Homero, de sua concepção original formulada por Parry às recentes tendências de pesquisa dessa área de estudos.

Mesa-redonda 1

Oralidade e literatura no medievo céltico

O Mabinogion e a Narrativa Galesa Medieval

Mônica Amim (UFRJ)

Breve reflexão sobre as relações entre tradição e transmissão oral, tendo como base o pensamento de Paul Zumthor. Apresentação sucinta da obra O Mabinogion, texto fundamental da lietratura galesa medieval. Considerações sobre os processos de seleção, revisão e reinterpretação das narrativas do Mabinogion na transição da oralidade para a escrita, utilizando como instrumental teórico os textos de Gwen e Thomas Jones, Victoria Cirlot, e José Matoso.

Cristianização e a Produção de Livros Penitenciais

na Irlanda dos Séculos VI a VII

Elaine Cristine dos Santos Pereira Farrell (UFF)

Desde a oficialização romana do cristianismo no século IV, os “primeiros padres”, objetivando delinear o que era crença oficial e o que era heresia e impor tal entendimento para as populações recém-conversas à moral cristã, deram início a uma vasta produção de documentos normativos. Nesse contexto de processo de conversão no século VI surge na Irlanda e no País de Gales, regiões periféricas da Europa Medieval, um novo gênero literário, os manuais penitenciais. Assim sendo, a proposta desta comunicação é a apresentação de uma tipologia deste importante corpus documental. Buscaremos apresentar seus autores, seus possíveis objetivos na produção de tal material assim como também mapear o seu público alvo e a repercussão destes documentos na Irlanda durante os séculos VI-VII.

Os Deuses e as Letras –

Aspectos da Religiosidade Celta na Literatura Irlandesa Medieval

Elisa Lima Abrantes (UFF).

Druidas e bardos ocupavam papel central nas sociedades celtas, principalmente na Irlanda durante a Antigüidade e Alta Idade Média. Aqui, após a cristianização celta, os monges irlandeses são considerados sucessores dos filid (CHADWICK, 1967) e registraram em manuscritos dos séculos VI a XII, em gaélico e em latim, as leis, contos e lendas do Éire que circulavam desde a era pré-cristã. A literatura medieval irlandesa representa, portanto, uma das mais bem preservadas e abrangentes fontes de estudo para a sociedade e mitologia celtas. Esta comunicação pretende demonstrar, através da comparação entre fragmentos de contos do ciclo mitológico irlandês, de textos clássicos e da antiga lei irlandesa, a existência de elementos da religiosidade celta como a presença de deuses e druidas interferindo em assuntos humanos, a noção de mágica e a crença em um “outro mundo” não visível.

Mesa-redonda 2

Oralidade e literatura entre os celtas

O ideal guerreiro entre os celtas: diálogos entre literatura e a arqueologia

Erick Carvalho (CEIA-UFF)

A figuração do guerreiro entre os celtas é tema recorrente nas principais representações conhecidas. Neste trabalho, pretendemos por meio de uma análise dos vestígios arqueológicos do Sul da Gália na antiguidade e da literatura irlandesa do medievo empreender um possível diálogo entre diferentes leituras do ideal guerreiro entre estas diferentes esferas tidas como célticas.

Uma janela para a Idade do Ferro? Oralidade e escrita, rupturas e continuidades nos textos medievais irlandeses

Pedro Vieira da Silva Peixoto (LHIA-UFRJ e CEIA-UFF)

No que diz respeito aos estudos relativos às sociedades da Idade do Ferro européia, tipicamente reconhecidas como ‘celtas’, os acadêmicos de diversas áreas, seja da História, Arqueologia, Antropologia, Direito, Literatura e Filologia, constantemente buscam em alguns textos medievais, produzidos em regiões bem específicas como as correspondentes aos atuais País de Gales, Escócia e Irlanda, importantes fontes comparativas para seus estudos.

Por conseguinte, não é difícil de encontrarmos estudos dedicados, por exemplo, à cultura material achada no período de Hallstatt (aproximadamente, do século VIII ao V a.C) e LaTène ( do século V ao I a.C) ou ainda estudos que estão relacionados aos relatos provenientes de autores gregos e romanos a respeito de costumes e práticas ‘celtas’, que, em um dado momento, utilizam-se da documentação textual medieval, como, por exemplo, as narrativas mitológicas irlandesas, comparando-a com a realidade que é discutida e analisada, buscando, assim, a comprovação de hipóteses e a formulação de argumentos diversos.

Propomo-nos, neste sentido, dar início a uma investigação que tem por principal objetivo pensar de que forma pode ser possível a utilização da documentação medieval para os estudos relativos à Antigüidade européia. Seriam os textos medievais irlandeses uma possível ‘janela’ para a Idade do Ferro, preservados diretamente de uma oralidade antiga e funcionando , assim, como um reflexo da sociedade anterior a que os escreveu, ou não? Qual a relação entre oralidade e escrita, rupturas e continuidades contidas nesses textos, que viabilizariam ou impossibilitariam a utilização dos mesmos, enquanto comparáveis, nos estudos relacionados à Idade do Ferro?

Desta forma, em linhas gerais, podemos dizer que desejamos pensar e propor o que poderíamos chamar de uma “metodologia para os estudos célticos”, buscando discutir meios possíveis de se trabalhar com a documentação existente e debater, direta e indiretamente, sobre o próprio entendimento do que vem a ser o termo ‘celta’.

Oralidade e Início da Escrita entre os Celtas da Gália e da Britânia

no Final da Idade do Ferro

Filippo L. Olivieri

A transmissão oral entre os celtas era cultivada pelo grupo que tinha prerrogativas político-religiosas, os druidas, uma vez que estes não costumavam escrever o seu ensinamento. Segundo César (A guerra das Gálias), isso se dava para que os ensinamentos não fossem negligenciados pelos iniciados ou passados para o povo.

Os druidas eram os guardiões da tradição oral. Eles zelavam pelas genealogias das divindades e aristocratas (atribuição dos bardos) e pelos estudos que envolviam conhecimentos astronômicos, cosmológicos, filosóficos etc. Contudo, no final da Idade do Ferro, devido a contatos com gregos e romanos, deu-se a introdução do uso de caracteres gregos e latinos. Isso aconteceu principalmente através da inscrição de nomes de aristocratas em moedas. Alguns dos personagens representados no numerário foram citados por César nos relatos das suas campanhas, como Vercingetorix, Dumnorix, Commio, entre outros. Também se encontram nomes de oppida como Camulodum (Colchester, Inglaterra). A introdução da escrita, todavia, não aboliu a oralidade, pelo contrário, ao que parece, o conhecimento da escrita passou a ser monopolizado pelos druidas.

Mas, com a conquista romana e o avanço do cristianismo (caso da Irlanda) o conhecimento druídico acabou por se perder. Entretanto, o calendário de Coligny (Ain, França), datado do final do século II d.C., demonstra o avanço dos estudos druídicos no que tange a astronomia. Este calendário pode indicar uma continuidade em relação à tradição oral do período pré-romano.

O objetivo deste trabalho é abordar a oralidade entre os celtas do período pré-romano (Idade do Ferro) na Gália e na Britânia e articular essa prática com a introdução da escrita. Para tanto, utilizaremos os aportes de autores como Jack Goody e Paul Zumthor, entre outros. Estes estudiosos trabalham com questões que envolvem a interação entre a oralidade e a escrita. Buscaremos refletir sobre como introdução da escrita estava geralmente em consonância com a tradição oral celta.

Mesa-redonda 3

Oralidade e literatura no medievo germânico (I)

Francos, troianos e o monstro marinho:

Fredegário e a tradição cronística das origens merovíngias

Edmar Checon de Freitas (UFF/Scriptorium)

Ao longo do século VI os francos estabeleceram-se como senhores da Gália. Ao mesmo tempo, no plano interno, os merovíngios consolidaram sua posição de liderança entre os francos. As crônicas produzidas na Gália a partir do século VI procuraram associar essa trajetória vitoriosa a um passado glorioso, uma nobre origem envolta em lendas e feitos heróicos. Destaca-se, nesse particular, o material produzido por um cronista do século VII e cujo verdadeiro nome ignoramos, mas que uma antiga tradição identifica como Fredegário. Analisaremos aqui alguns episódios relativos às origens merovíngias por ele registrados, comparando-os com os relatos de outras crônicas do período merovíngio (Gregório de Tours e o Liber Historiae Francorum).

A Busca das Origens dos Visigodos: Entre o Mito, a Memória e a História

Sérgio Feldman (UFES)

A obra de Isidoro de Sevilha faz uma síntese entre a cultura clássica e o pensamento cristão nos primórdios da Idade Média. Na introdução da sua obra Histórias e em excertos das Etimologias faz um imbricamento artificial de trechos das tradições germânicas com elementos retirados da tradição bíblica para associar aos visigodos à condição de “povo escolhido” e justificar sua função no processo que acabaria por aproximar a Parusia e o Juízo final. A conversão de Recaredo é retroagida e compreendida como um processo divinamente regido desde suas origens mitológicas até o século VII. Isidoro consolida um entendimento de que os visigodos têm um papel histórico único e transcendente. Tal concepção sobreviverá ao reino visigodo e será o elo motivador da identidade cristã na Península Ibérica Medieval.

Oralidade, Escrita e Poder na Península Ibérica da Alta Idade Média

(Séculos IV-VIII)

Mário Jorge da Motta Bastos (UFF – Translatio Studii)

A elevada freqüência do emprego do discurso direto constitui uma das mais recorrentes expressões intrínsecas à estrutura discursiva de fontes textuais diversas da sociedade ibérica da Alta Idade Média. Atas conciliares, tratados teológicos, liturgia, sermões, hagiografias e legislação régia, em que pese a diversidade e a especificidade das várias tradições discursivas que as informam e constituem, estão eivadas de “expressões de oralidade” que manifestam as tensões sociais que “atravessam” os discursos, deixando-se revelar.

No II Concílio de Braga (Concílios Visigóticos e Hispanoromanos), Martinho afiança a autoridade da assembléia numa máxima do Evangelho, já que estaria escrito pela boca do Senhor que “onde quer que haja dois ou três congregados em meu nome, eu estarei no meio deles”. Em meio ao banquete que tinha lugar no paraíso, segundo a visão de Augusto na Vitas Sanctorum Patrum Emeretensium, Deus, de seu rico trono, lhe teria falado: – “Não temas. Sabe que eu serei teu protetor. Nunca faltará nada a ti. Eu sempre alimentar-te-ei, vestir-te-ei, e proteger-te-ei a todas as horas, e nunca abandonar-te-ei.” Concebido como parte, e expressão-mor da obra de Criação, deriva o homem de uma particular e íntima relação “de mão e boca” com Deus. Talvez mais do que criado à sua imagem e semelhança, foi o homem modelado pelas mãos divinas, e sua vida insuflada diretamente de sua boca, pelo sopro divino. Foi este contato físico que criou o homem a partir de uma relação pessoal e direta, este ser que só existe a partir da relação, e que se concebe apenas no interior destas mesmas relações.

Ainda que não tenham atentado para o fenômeno em questão, os historiadores vêm, apoiados na Antropologia, ressaltando o peso da tradição oral na civilização do ocidente medieval, manifesto, entre outros aspectos, nos vestígios seus que se desvelam em meio a estas narrativas de diversa natureza. Propomo-nos, no presente trabalho, recorrendo a exemplares das fontes acima referidas, à abordagem do tema por um prisma específico, o da articulação entre as manifestações orais e as expressões de poder, especialmente consubstanciadas na conjugação do bannum e do mundium. Conceitos inseparáveis, ambos denominavam a relação social que unia aos detentores da autoridade aqueles que se lhes sujeitavam, conjugando todos os elementos inerentes à sua manifestação, isto é, os seus símbolos, a área em que vigorava, a punição dos infratores e a misericórdia eventual do poderoso. Mas, acima de tudo, expressavam-se sempre por uma emanação vocal: não era o escrito, apenas o sopro da voz, a promulgar e validar tanto as ordenações divinas quanto as soberanas, assim como as de qualquer poderoso senhor terreno. É a importância do símbolo corporal como direta expressão de relações sociais, e não a rudeza dos espíritos, que explica a função secundária, no período em questão, da escrita e, portanto, a inutilidade de sua aprendizagem para a maioria da população.

Mesa-redonda 4

Oralidade e literatura no medievo germânico (II)

Aventura e magia no mundo das sagas islandesas

João Bittencourt de Oliveira (Departamento de Línguas e Literatura, IAP-UERJ)

As sagas islandesas (ou sagas das famílias) permanecem uma das grandes maravilhas da literatura universal. Iniciando-se no século IX d.C., na Islândia, a era dos vikings é também conhecida como a era das sagas. Situadas por volta da virada do primeiro milênio, essas estórias retratam, com um realismo surpreendentemente moderno, a vida e os feitos dos antigos povos escandinavos que pela primeira vez povoaram a Islândia e a de seus descendentes, que se aventuraram mais para o oeste – alcançando, segundo alguns estudiosos, a Groenlândia e, finalmente, a costa da América do Norte. Até o século XII, as sagas eram orais, memorizadas para serem recitadas junto ao espaço da lareira. Os elementos de adivinhação e profecia são quase onipresentes nas sagas, embora jamais substituem as ações e decisões humanas como explicação de acontecimentos. Como forma literária, as sagas possuem algum paralelo com a literatura irlandesa, indicando que o impulso para escrever sagas pode ter sido inspirado pelas tradições célticas. Profundamente enraizadas no mundo real de seu cotidiano, concisas e sem rodeios quanto ao estilo, as sagas exploram os eternos problemas humanos: falam de amor e ódio, destino e liberdade, crime e castigo, viagem e exílio. As sagas islandesas são, até certo ponto, precursoras importantes do romance moderno. Influenciaram diretamente muitos escritores, entre eles Walter Scott (Ivanhoé) e J.R.R. Tolken (O Senhor dos Anéis). As sagas são também uma fonte valiosa de informação sobre a Islândia medieval, um assunto de interesse de muitos além dos medievalistas. O presente trabalho propõe-se a reunir e analisar algumas características das sagas islandesas e sua importância para a compreensão da Islândia medieval, à luz das mais recentes investigações.

Germanos e Romanos – por uma análise histórico-literária da arte da guerra

Álvaro Alfredo Bragança Júnior (UFRJ/BRATHAIR/ABRAFIL/ceia-uff)

Na Antigüidade, as melhores fontes para conhecimentos das relações entre romanos e germanos residem eminentemente em obras de dois historiadores, políticos e escritores, Caius Julius Caesar e Caius Cornelius Tacitus. No De belo gallico e na Germania descreve-se a partir da ótica do “civilizador” romano as características inerentes aos povos germanos em uma perspectiva que alia o empirismo do olhar e a abstração do pensamento. No campo militar, os embates entre Roma e as tribos germânicas estender-se-ão até o século V, época de desintegração política do Império Romano do Ocidente. Neste trabalho elencar-se-ão alguns aspectos lingüísticos, históricos e literários que configuram o guerreiro germano em oposição ao legionário romano, com desdobramentos que chegam até o próprio século XX.

Sagas islandesas e oralidade: as perspectivas da nova escandinavística

Johnni Langer (UFMA)

Tradicionalmente, a composição das sagas esteve teorizada dentro de duas principais vertentes: a concepção dominante, que privilegia a autoria individual, onde a criatividade do escritor teria sido preponderante no momento da passagem da oralidade para a escrita; e de outro lado, uma visão que prepondera os elementos orais neste processo. Por sua vez, os novos estudos escandinavísticos assumem uma posição crítica, considerando que a perspectiva individual de criação foi em muitos casos anacrônica, considerando o escritor medieval no mesmo sentido que o escritor contemporâneo. Um dos novos conceitos utilizados é o de arte imanente – onde a estética da forma oral, fórmulas e temas com papel significante no texto escrito, e não apenas servindo como aparelho mnemônico para contar narrativas. Assim, a oralidade e a escrita assumem uma mesma tradição em uma audiência imanente. Nossa comunicação pretende realizar um pequeno esboço das novas pesquisas, começando com o artigo pioneiro de Lars Lönnroth (Speculum, 1971), que aplica as teorias de Parry e Lord no estudo das sagas; os estudos literários e sistematizadores de Torfi Tulinius; as pesquisas de Gísli SigurDsson, especialmente The medieval icelandic saga and oral tradition: a discourse on method (2004) e Orality and literacy (2007). Também propomos uma conexão com estudos mevialistas abordando a questão, como Paul Zunthor (A letra e a voz, 1998) e Escrito/oral, de Jean Batany (2002).

Publicado on 31/08/2009 at 5:44  Comments (3)  

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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Gostaria de saber como faço para receber o certificado de ouvinte do colóquio.
    Obrigda

    • Oi Bianca, basta aparecer na sala do CEIA, 310, bloco C (manhã ou tarde) e pegar o seu certificado, como acha-se orientado no blog, ele já está pronto!
      Um grande abraço!

  2. Simplesmente lindos os temas, o conteúdo, o brilhantismo dos assuntos abordados.
    Parabéns,
    Rilza Barbosa


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